domingo, 14 de dezembro de 2014

Passado.

Não consigo deixar de pensar no que me aconteceu no passado. Eu gostaria de simplesmente esquecer, mas me parece tão impossível. As lembranças vêm a todo instante e as feridas ainda doem como se fossem recentes. Nunca fui aceita pelos que me rodeavam e nunca soube ao certo o motivo. Desde pequena experimentei da mais amarga rejeição. Na escola os garotos resolveram implicar comigo de forma cruel e dolorosa. Ao mesmo tempo em que me lançavam os mais variados insultos, também me infligiam castigos físicos. E os professores? Bom, esses apenas se contentavam com a velha história de que “em toda escola acontece esse tipo de coisa”. Bullying não era um assunto debatido nessa época.

Em casa eu tinha de aguentar uma família altamente desequilibrada, com um pai abusivo, uma mãe omissa e uma avó manipuladora. Por anos eu quis acreditar que minha avó algum dia me amou, porém a verdade é que ela era uma sádica que tentava controlar todos os meus movimentos e pensamentos. Aliás, todos da família do meu pai são meio psicóticos.

Fui uma criança extremamente solitária, cheia de medos e até com certo ódio no coração. Amadureci cedo demais e acabei por ter minha infância roubada. Lembro de como eu usava minha imaginação para amenizar a dura realidade em que vivia. Era triste. Minha mãe sempre trabalhando, só tinha tempo para minha irmã mais velha. Elas sempre se deram bem e nunca consegui me enturmar. Meu pai era/é um infeliz que só se aproximava de mim para me espancar. Eu realmente não sei se um dia vou conseguir parar de viver remoendo essas mágoas.

Desde cedo fui colocada a mercê de psicólogos e psiquiatras. “Problemática”, “Louca”, “Doente” era o que eu mais ouvia de meus próprios pais. E aqui estou eu novamente me entupindo de remédios que o maldito psiquiatra prescreve. “Você vai melhorar” é o que minha mãe diz e é o que escuto desde meus treze anos. 

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